Imagem e contexto: nem toda a ideia é boa sempre

Em novembro de 2009, a revista inglesa The Economist trazia o Brasil na capa, exortando o crescimento do país. O símbolo usado foi o Cristo Redentor, que decolava, do Corcovado. Quatro anos mais tarde, em setembro de 2013, o Cristo Redentor estava prestes a cair.

The Economist – November 14th 2009
The Economist – September 28th 2013

Neste final de semana, a IstoÉ Dinheiro faz um claro plágio das capas da The Economist mostrando que o Brasil pode estar prestes a decolar novamente. Lá, aparece o Cristo, aquecendo os motores novamente.

IstoÉ Dinheiro – 27/julho/2016

A ideia do Cristo Redentor numa mídia internacional, como símbolo brasileiro é interessante porque a imagem representa o país para os estrangeiros. Assim como a Torre Eiffel é a França e a Estátua da Liberdade faz referência aos Estados Unidos, deste lado dos trópicos temos o Cristo.

Ao contrário, internamente, o Cristo, ‘de braços abertos sobre a Guanabara’, é um símbolo da cidade do Rio de Janeiro. A qualquer brasileiro que for mostrada a imagem, sua primeira referência será a cidade maravilhosa, praia, samba, Pão de Açúcar.

O plágio da IstoÉ Dinheiro — afora o fato de ser um plágio, fato que dispensa outros comentários — ficou, portanto, fora de contexto, em se tratando de uma revista brasileira. Mais ainda, quando a referência nacional para a imagem remete a cidade onde acontece as Olimpíadas, dentro de duas semanas.

Num primeiro olhar, aliada ao título “Falta pouco para o Brasil decolar”, a capa me remeteu às Olimpíadas. De imediato, imaginei que o conteúdo da matéria seria esse. Trouxe também uma estranheza, visto que a publicação é voltada para assuntos econômicos. O texto abaixo do título esclarece que não se falaria dos Jogos, mas sim dos sinais de otimismo econômico que já são vistos no Brasil.


Moral da história: ideias boas não são boas em todos os contextos. Principalmente quando se trata de símbolos e signos. A avaliação do cenário é fundamental. E, nesse caso, não só da imagem em si, mas do públicos e das associações geográficas e temporais aos quais eles estão submetidos, é grande aliado para o sucesso de uma imagem.


Que o Brasil cresça. Que as Olimpíadas sejam ótimas. E que a IstoÉ Dinheiro possa ter capas mais criativas e representativas nas próximas edições.

=)